O paraíso não é um lugar. É um breve momento que conquistamos Mia Couto
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Manifesto

Ser incompleto é da natureza humana, e isso é bom. A nossa imperfeição nos convida a caminhar em busca do que nos preenche, e neste curso, cada aprendizado nos mostra um novo sentido.

A plenitude alcançada não significa o esgotamento de uma jornada. Pode ser apenas um momento, uma paisagem linda contemplada nesta viagem.

A natureza vem cumprindo o seu papel. Sem alarde. Atua discretamente. Basta ficar atento. É preciso desacelerar. Possuir "o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso", como disse Mario Quintana, para que os encantos da vida sejam notados.

Gentilmente, ela se veste de diferentes formas para que tenhamos um cenário repleto de possibilidades: mar, campo, calor, frio, vento, todas as cores, texturas e sons para sentir. Um grande palco para que nós possamos atuar de forma inteiramente livre.

Ela, sabidamente, também nos fornece a chance de constituir uma família, seja gerando, adotando ou simplesmente se fazendo presente na vida um do outro. Um desafio lindo e instigante que nos presenteia com a missão de construir momentos capazes de produzir experiências com poder de ressignificar a forma como cada um de nós se relaciona com o mundo.

Talvez, por estarmos tão acelerados, e de olhos exageradamente voltados para telas, não estejamos dando conta do quantos temos em volta. Mas também não precisamos radicalizar e negar essa nova dinâmica social… Que tal uma interseção?

Observando com mais cuidado o universo infantil, entendemos que o equilíbrio entre uma vida hiperconectada e os respiros contemplativos é extremamente necessário para que não se abandone os benefícios do bom uso da tecnologia e, ao mesmo tempo, descondicione o olhar para que a beleza que existe no cotidiano seja percebida.

O Approche, portanto, se mostra como um movimento que visa oferecer alternativas estimulantes para que os adultos criem contextos afetivos, lúdicos, culturalmente interessantes e, principalmente, humanos para as crianças.

Desta forma sentimos que, assim como a natureza, estaremos desempenhando um papel capaz de tornar a vida mais leve e conectada com o que realmente importa.

Quem Somos

Somos o olhar flagrado em uma boa surpresa, a gargalhada que vai emudecendo por durar tanto, o silêncio de um longo abraço. Somos aquilo bom que se sente. Difícil explicar.

Somos o “falando tudo” na primeira sílaba dita por eles. O primeiro choro ao nascer e a quietude seguinte quando mãe e filho se encontram. Sabe aquela linha escura no pescoço? Somos o dia feliz que fez essa sujeirinha se acumular.

Somos também o susto quando, num piscar, percebemos que cresceram; a preocupação de um termômetro marcando 38 e o alívio de vê-lo desistindo de subir. Somos o que eles sentem quando apoiamos suas experiências; a atenção que se dá às suas explicações; o “você consegue”, quando um olhar sugere dúvida.

Somos o “acabei!!” ecoando dos seus ensaios independentes; a plateia que não pisca ao assisti-los dormindo; a graça que se vê na palavra “pum”, vinte vezes seguidas. Somos o enroscamento de pernas grandes e pequenas num filminho fora de hora; a resistência de um braço adormecido que não deixa interromper o acalanto… Somos o efeito de um “pode!” posterior a um “posso?”.

Tanta coisa…

O Approche é um movimento. Um sentimento … Um não, muitos.

Somos experimentos, possibilidades, descobertas…

Estamos no “on”, no “off”… Na verdade, somos “ligados em tudo", entende? Ininterruptamente.

Concordamos com nossas mães: não somos “todo mundo”. Somos uma forma simples e afetiva que busca cuidar para que os momentos sejam vividos da maneira mais bonita, única e exageradamente humana possível.

Como?

Só estando junto para dividir e sentir. Vamos?

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